DREARYLANDS: Entrevista com Leão

AUTOR: Val Oliveira

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Postado por: Val Oliveira, em 01 de setembro de 2017 | 409 hits  

Após um hiato, a DREARYLANDS volta definitivamente ao cenário. Conversamos com Leão sobre as novidades, sobre a gravação do material novo e os planos da banda. Inclusive a banda irá participar do show de lançamento do novo material do Malefactor, 23/09, no Groove Bar.


Fotos: Rafael Almeida


1 – A banda voltou após um hiato de tempo. Qual o motivo da parada, e como se deu o retorno?


Leão: Depois de termos lançados dois álbuns [“Some Dreary Songs and other tunes from the shadows”, em 2000, e “Heliopolis or just another dreary season”, em 2003], a banda começou a passar por muitas mudanças de formação. Até que, no início de 2006, eu era o único da formação original e não estava mais com tempo e disposição de continuar o trabalho com a banda. Então, decidi parar com tudo. Cinco anos depois, em 2011, reunimos a formação que tinha gravado o segundo álbum, a convite da revista Roadie Crew para encerrar o show da seletiva para o festival Wacken Open Air, na Alemanha. Rolaram ainda mais duas apresentações, matamos a saudade de tocarmos juntos e cada um foi para seu canto. Só que a vontade de voltar com a Drearylands ficou em minha cabeça. Em 2013, chegamos a conversar, mas eu ainda não tinha muito tempo para me dedicar à banda. Daí, somente em 2015, eu chamei os caras para voltarmos de verdade e levamos meses conversando, fazendo novas composições para ver se ainda havia “liga” entre nós como músicos. Tudo deu certo e no início de 2016, lançamos o maxi-single “Collateral Damage”, com três músicas inéditas e voltamos aos palcos no tradicional festival Palco do Rock, durante o carnaval.


2 – Quais as expectativas da banda com o seu retorno à cena baiana e brasileira?


Leão: A gente quer continuar compondo, lançando músicas, fazendo shows. Queremos ocupar nosso espaço nesse cenário com respeito a todos: parceiros, fãs, público, bandas, divulgadores como o REIDJOU. Tudo que vier a partir disso será lucro... hehehe


3 – Como foi a receptividade às músicas novas?


Leão: Foi muito legal. Creio que a gente ainda sabe fazer músicas de Metal com a qualidade mínima para agradar alguns ouvidos e mentes... hehehe


4 – Houve alguma pressão para compor novas faixas e que elas soassem com a sonoridade dos álbuns anteriores?


Leão: A maior pressão era nossa. Quando nos reunimos, a primeira coisa que pensamos era que tínhamos que avaliar se ainda funcionávamos juntos. Muito tempo havia passado, amadurecemos pessoalmente e musicalmente, e tínhamos que saber se conseguiríamos fazer novas músicas de qualidade e que respeitassem o nome da Drearylands. Se não, era melhor deixar quieto. Não queria lançar algo que manchasse a história da banda.


5 – Vocês lançaram o Ep “No Poetry Lasts”, que reúne as faixas do single, e algumas regravações. Como rolou o processo para esse lançamento? E como se deu a escolha das faixas regravadas?


Leão: Mesmo antes do lançamento do maxi-single em 2016, tínhamos fechado um acordo com a MS Metal Records e a Voice Music, mas não queríamos adiantar as coisas. Então, lançamos as primeiras músicas novas. E eles acharam que seria legal termos um lançamento oficial, trazendo composições novas e regravações para mostrar ao público novo (e aos velhos) o que a banda tinha a apresentar nessa retomada. Depois da volta no PDR 2016, fizemos alguns shows em Salvador e pelo interior da Bahia, e iniciamos 2017 com o lançamento do EP “No Poetry Lasts”, com as músicas do single remasterizadas e com partes regravadas, além de regravações de músicas importantes dos dois primeiros discos. Escolhemos as regravações com base no que havia tido mais impacto no passado e as que tinham recebido novos arranjos, como “Learn To Fly” do primeiro álbum, e escolhemos uma que merecia uma gravação melhor do que conseguimos anteriormente, como “Lady Light”. Vale lembrar que essa última tem um gravação bizarra no primeiro disco. Na época, em 1999/2000, era o início da gravação digital, ninguém sabia como fazer. Gravamos a bateria embaixo de uma escada e só tínhamos oito canais para mixar. Ela merecia algo melhor.


6 – Como tem sido a receptividade com o material novo por parte do público?


Leão: Tem sido muito boa. Legal ver que, além dos que já conheciam a banda, muita gente nova no cenário tem curtido o som. Inclusive a música nova em português tem tido ótima receptividade. Lembro que quando lançamos as primeiras canções em nossa língua, em 2003, muita gente torceu o nariz. Hoje vejo muita banda investindo no Metal em português, algo que tinha sido deixado de lado nos anos 1990 e agora voltou a ser uma realidade.



7 – Em tempos de desvalorização da mídia física por parte do publico consumidor, como a banda enxerga lançamentos de bandas underground, já que malmente esse público acaba comprando apenas CDs de grandes bandas? Há um futuro para o cd, e qual a função do Cd no mercado atual?


Leão: Mais importante do que discutir mídia física ou virtual é ouvir música, curtir o som. LP, K7, CD, MP3, Streaming são apenas suportes. O que deve sempre vir em primeiro lugar é a música. Lógico que a qualidade do áudio hoje em dia está meio “plastificado”. As bandas investem alto em boas gravações e a galera acaba ouvindo em fones vagabundos de celular ou em caixinhas de computador, mas o que importa é a qualidade da composição e interpretação. Se não fosse assim, ninguém mais ouviria gravações antigas e bootlegs, que têm seu valor musical muito maiores que a qualidade da gravação. No cenário Metal, muita gente ainda valoriza o formato físico, e para as bandas o CD ainda conta como um cartão de visita e um produto para divulgação. Você pode deletar um arquivo MP3, mas o CD vai continuar por aí, mesmo que você jogue no lixo. A não ser que o quebre no meio... hehehe


8 – Uma das grandes queixas dos produtores e das bandas é justamente a falta de público em eventos. Qual a opinião de vocês em relação a isso? Enxergam alguma solução?


Leão: Este não é um problema só do Metal. Todo o underground e artes alternativas estão passando por isto. Junte a falta de dinheiro, o rápido acesso a conteúdos na internet na comodidade de sua casa, a falta de segurança pública e de transporte noturno nos grandes centros urbanos, e teremos motivos suficientes para ficar em casa. Fora isso, é um movimento cíclico. Em alguns momentos o rock e o metal já tiveram em alta, e agora estão em baixa, só atraindo os verdadeiros fãs. Tocávamos para 1.500, 2.000 pessoas em meados dos anos 2000, agora conseguimos 300, 400 pessoas a cada show em casas noturnas, mas isso ainda é muito mais do que rolava no final da década de 1980 e início dos 1990. Não sei se há uma solução. Continuaremos fazendo nosso melhor, se alguém quiser aparecer para conferir ao vivo, será ótimo.


9 – Quais os planos da banda?


Leão: Estamos compondo novas músicas. Dando continuidade aos trabalhos musicais. Em breve estaremos em estúdio gravando novas canções, enquanto estamos agendando shows. Infelizmente, o investimento em uma banda underground é grande, praticamente sem nenhum retorno. Mas continuamos devido à vontade, necessidade de continuar nos expressando. As novas músicas começarão a ser divulgadas agora em setembro e no início de 2018 teremos novo lançamento.


10 – Em todos esses anos de atividade, a banda deve colecionar uma boa quantidade de “causos”. Podem nos contar algumas situações inusitadas/engraçadas ou revoltantes?


Leão: Nestes mais de 20 anos fazendo Metal já passamos por todas as situações. Já fomos escorraçados pela polícia após um show; já nos envolvemos em briga com produtor no Rio de Janeiro; dormimos todos suados e com a mesma roupa do show porque nos colocaram para dormir em um lugar sem água nem energia elétrica; dormimos em rodoviária; tocamos em carroceria de caminhão embaixo de chuva torrencial; cantei um show inteiro tomando choque elétrico; dormimos em puteiro/brega; tocamos em “casa da luz vermelha”; já ficamos quase bêbados de tanto beber suco de laranja. Um dia escrevo todas essas experiências... hehehe



11 - O Reidjou agradece a atenção, e deseja longa vida à banda! O espaço é de vocês para as mensagens finais, e contatos com a banda.


Leão: Agradeço muito ao Redijou pelo suporte que sempre ofereceu à música underground e à Drearylands. Quando voltamos às atividades, vocês foram os primeiros a nos entrevistar, percebendo que não se tratava de uma brincadeira. No mais, convido a todos e todas para aparecer nos shows e conferir nossas novidades no www.facebook.com/drearylands.



 
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