MENSAGEIROS DO VENTO fala sobre o projeto “Anunnaki”

AUTOR: Val Oliveira

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Postado por: Val Oliveira, em 26 de abril de 2017 | 1105 hits  

1 – Falem sobre como foi formada a MENSAGEIROS DO VENTO, e qual a proposta da banda?


Fabrício Barretto - A banda começou em 2007, tocando no circuito de bares na noite de Salvador. Desde o início já usávamos projeções de vídeos em sincronia com a música tocada no palco. Fazíamos shows temáticos, como Rockstória do Brasil (que ia apresentando uma cronologia do rock brasileiro junto com imagens e textos sobre cada momento cultural, político e cultural do país) e Canções para um Mundo Melhor, que trazia mensagens de cunho ecológico e humanitário. Esse segundo projeto ilustrava uma proposta que iniciou a banda, de uma preocupação neurolinguística em reforçar o positivo ao invés de apenas criticar o negativo, de apontar possíveis soluções e sermos construtivos.  Isso é um certo resgate que fizemos da geração dos anos 60. Eles não se contentaram apenas em


expressar o que não gostavam no mundo, mas foram lá e criaram um novo modo de vida… Mostraram o que eles acreditavam, o que queriam, deram a cara a tapa. É preciso coragem pra fazer isso, criticar apenas é muito mais cômodo e seguro.


2 – Recentemente a banda lançou a ópera rock intitulada “Anunnaki”. Como se deu a escolha do tema?


Fabrício Barretto - Ficamos fascinados pelo tema e por seus desdobramentos. A origem humana contada pela civilização mais antiga que conhecemos, o fato de que essas histórias são as versões originais e bem mais antigas das histórias contadas no Antigo Testamento da Bíblia (sem dúvida um dos grandes pilares da nossa cultura), a abordagem extraterrestre desses deuses sumérios… É algo que mexe com vários tabus e descontrói muitas ideias que “sabemos de cor” . Acho que chegamos em um ponto, enquanto espécie, em que precisamos de uma reformulação completa de valores e atitudes. Nessa saga dos Anunnaki encontramos um estímulo fortíssimo para todos esses questionamentos, além de uma história incrível.


3 – Como foi o processo de composição? Teve muita pesquisa sobre o tema?


Fabrício Barretto - Foram alguns anos de pesquisa antes de começar o trabalho propriamente dito. Começamos por curiosidade pessoal, a ideia da ópera rock veio depois de um tempo já pesquisando e aprendendo sobre o assunto. Para compor as músicas era necessário fazermos antes um storyboard mental de como seria a animação daquele trecho. Para que tudo funcionasse harmoniosamente era necessário prever milimetricamente quanto tempo cada cena teria, cada trecho instrumental, cada pausa dramática… Isso foi bem difícil no começo, mas depois pegamos o jeito e a coisa foi fluindo muito bem. Eu e o Fabio ficávamos trocando arquivos de áudio pela internet o tempo todo, não podíamos trabalhar apenas quando estivéssemos juntos porque o trabalho era enorme e tínhamos prazos a cumprir. Tudo nesse trabalho foi muito intenso.


4 – O cd conta com vários convidados. O processo de gravação foi complicado? Houve muitos contratempos?


Fabrício Barretto - Considerando que foram 28 faixas em uma hora e meia de música, até que as gravações ocorreram de uma forma bem funcional e organizada. Quase todas as participações de convidados foram trazidas pelo produtor Richard Meyer, ele arquitetou todo esse processo aí. Mas claro que houve contratempos e imprevistos… Sem dúvida o maior deles foi uma paralisia das cordas vocais que tive devido à estafa da produção. Fiquei cerca de cinco meses completamente afônico e nenhum médico podia dizer se minha voz voltaria ou se poderia cantar novamente, já que não existia nenhuma causa física pra aquilo… Foi horrível, mas com fonoterapia e o apoio de muitos amigos e familiares isso ficou pra trás.


5 – A idéia desde o inicio era lançar como cd e filme em animação?


Fabrício Barretto - Sim, a idéia era cd duplo e longa metragem. Bem aos moldes Opera Rock como Tommy (The Who), Jesus Christ Superstar (Andrew Lloyd Webber & Tim Rice), The Wall (Pink Floyd) entre outros.


Anunnaki


6 – Sobre a animação, ela é econômica, mas eficaz, e emula a estética dos anos 60/70. Era a ideia desde o inicio? Qual o programa utilizado?


Fabrício Barretto - Todo o trabalho traz mesmo essa atmosfera dos anos 60/70, mas a concepção dos desenhos era remeter às ilustrações e baixo-relevos da arte suméria, assíria


e egípcia. Aquela estética bidimensional onde os personagens têm sempre os pés de lado, o corpo em três quartos e sempre aparecem de frente, nunca de costas (com exceção do Galzu, que aparece em ângulo frontal e de perfil, pois é um personagem diferente - nem humano nem Anunnaki). A animação é econômica porque fomos nós que fizemos tudo mesmo. Nossa ideologia é meio hipponga, mas nossa atitude é bem punk no sentido do “faça você mesmo”. Usamos Anime studio, Toonboom studio, Photoshop, Adobe Premiere, After Effects e Adobe Encore.


7 – “Anunnaki” foi lançado através de um projeto aprovado no Edital de Música do Fundo de Cultura e patrocinado pela Secretaria de Cultura da Bahia. O resultado é de qualidade ímpar. Como tem sido a receptividade do trabalho?


Fabrício Barretto - Muito obrigado! Além da Secult BA, tivemos o apoio do Athelier PHNX de luthieria, Massa Sonora Estúdio, Staner Audioamerica e da Servdonto, além do apoio de muitas pessoas através do financiamento coletivo. Gratidão imensa a todos que tornaram esse trabalho possível! A receptividade tem sido maravilhosa, as pessoas têm nos surpreendido no nível de compreensão da proposta e na percepção até de pequenas referências que fizemos. Gratidão, gratidão!


8 – A banda pretende executar na integra o trabalho em um show?


Fabrício Barretto - Sim, estamos trabalhando nisso agora. Vamos levar tudo pro palco, com a exibição do filme em sincronia com o show da banda. Vai ser um formato de show bem diferente e cheio de informação!


9 – Quais os planos da banda daqui para frente? Já pensam em novo material?


Fabrício Barretto - Ainda não, temos muito o que trabalhar com o Anunnaki. Temos divulgado o filme para que, quando sairmos com o show, já exista uma base de público que conheça bem o trabalho. Podemos fazer algo nos mesmos moldes futuramente, mas acho que não será nosso próximo lançamento.


10 – Fabio e Fabrício Barreto fizeram parte da banda Imago Mortis. Podem falar algo daquela época, e por que saíram da banda?


Fabrício Barretto - Ótimas lembranças, amigos pra vida toda - uma verdadeira família, uma experiência artística super intensa, descobertas e aprendizados valiosíssimos, orgulho por ter feito parte dessa história! Nosso último trabalho no Imago foi a também ópera rock “Vida - The play of Change”, baseada em depoimentos de pessoas com doenças terminais e no contato com a proximidade da morte. Tudo muito forte e intenso! Nós usamos a o tema “morte” nesse disco como metáfora para transformação, mudança, superação. Tentamos tirar dali algo de valioso que pudesse ser aplicado na vida. Acontece que esse trabalho realmente nos mudou muito! Quando acabamos, tínhamos nos desconstruído completamente e vi que eu mesmo não teria mais o que dizer ou o que fazer dentro da proposta do Imago Mortis. Precisei me desapegar de tudo o que havia construído com aquela galera para seguir em frente e continuar buscando me aprimorar em outras praias.


11 – Agradecemos a atenção. Fica aqui o espaço para as mensagens finais e contatos. Um grande abraço.


Fabrício Barretto - Eu que agradeço imensamente pela entrevista e por todo o apoio que o Reidjou tem nos oferecido! Obrigado, amigos! Grande abraço!


Site:


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Playlist do ANUNNAKI no Youtube:


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