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ENTREVISTAS

24/09/08 - HOMEM METEORO

Como disse Bukowski um dia, eles são como um lixo que atrai moscas, em vez de uma flor desejada por borboletas e abelhas. Com um som misantropo, caótico e experimental, a Homem Meteoro vem arrasando quarteirões por onde passa, com suas músicas inspiradas em filmes, tristezas e agonias. Nessa entrevista, eles falam um pouco da banda, do EP prestes a ser lançado e dos planos que são desencadeados por esse trabalho.


Por Neila Santos

A Homem Meteoro tem músicas extremamente subjetivas, ou seja, retratam o íntimo em contraste com as experiências externas gerais. Auxiliadas pelo instrumental denso, as letras normalmente conduzem quem escuta a uma perturbação automática. Qual a influência dessas composições?

Andrei: Gostei do retratam o intimo em contraste com experiências externa gerais. (risos). Precisa dizer algo mais? Sobre as músicas conduzirem quem ouve a uma perturbação acho bacana, mas confesso que você é a primeira pessoa que se diz perturbada com o som. Isso é bom, pois parece um soco no juízo dos desajuizados. (risos). Nós também somos perturbados e acho que isso explica nossa forma de escrever letras e fazer as musicas. As influências das composições são apenas os nossos sentimentos. Sentimos toda repulsa em relação à humanidade e gostamos de falar sobre o caos, violência e coisas do tipo. Essas letras acabam fazendo com que os meus companheiros de banda façam um som pesado, coeso e totalmente noiado seguindo toda a lógica da Homem Meteoro.


Quais foram os shows mais marcantes para a banda e por quê?

Andrei: Vários shows foram marcantes, mas o do lançamento do CD da Hoje você morre foi mais marcante para mim, pois passei mal o show todo (risos). Achei que ia ter um derrame, sei lá. Brincadeiras a parte, todos os shows são legais, mas o primeiro em si foi muito bacana, pois a molecada que compareceu não conhecia ainda nosso som e mesmo assim eles curtiram, extravasaram "pra carai".

Wilton: Para mim, foi o 1° show na Casa de Arte Bahia pelo fato da banda ser nova e não esperava uma recepção tão boa quanto aquela e em 2° Lugar, foi um show que fizemos no Clube de Engenharia onde encontramos um público novo, que não conhecia a idéia da HOMEM METEORO e o público acabou tendo uma resposta muito mais positiva do que esperávamos.


Vocês estão tocando material novo nos shows, inclusive covers. Como está sendo a reação do público?

Andrei: Ainda é difícil dizer algo sobre a reação do povo, pois somos um conjunto de música rock muito novo e nem todos sabem de nossa existência ou mesmo não conhecem as músicas. A moçada conhece mais nossos covers. Nós vínhamos tocando cover do Facada e agora, mais recentemente, no ultimo show fizemos um cover do Brujeria (Colas de Rata), mas mesmo com pouco tempo venho sentindo uma certa admiração de algumas pessoas que noto que estão em todos os nossos shows, e isso é muito bacana.

Wilton: Boa. Porque os covers que tocamos são de banda de grande influência para nós e também são bandas que a maioria do nosso público também gosta, mas que não está acostumado a ouvir cover delas, como o Brujeria, por exemplo.


Se tratando de apresentações ao vivo, particularmente, acho a banda muito coesa e entrosada em palco, soando dinâmica a todo o momento. Mas, como vocês avaliam o trabalho em estúdio?

Andrei: O processo de estúdio para nós é mais para composição, inclusive agora que acabamos as gravações do EP (ainda sem nome). Começamos a tentar criar coisas novas para os próximos shows, mas ainda assim é tão divertido quanto as apresentações ao vivo, só não esmurrarmos uns aos outros no estúdio, é claro!

Wilton: Mais concentrado. Em estúdio é o momento de verificarmos as falhas, fazer novas músicas e expor as idéias, colocar todas em prática, claro que tem que rolar o velho aluguel de sempre.


A banda está em processo de gravação do EP e já disponibilizou "Um carro alguns comprimidos e uma .45" na íntegra em seu MySpace, com uma ótima qualidade sonora. Não só em relação ao novo trabalho que está por vir, mas pela iniciativa da disponibilização, qual a resposta que tem obtido do público?

Andrei: No segundo dia de MySpace já tínhamos 235 plays. Isso mostra que muita gente se interessou em ouvir nosso trabalho. Que bom que você curtiu o som. Gravamos no estúdio Estopim com o Fabiano e estamos acabando o processo de mixagem para disponibilizarmos as outras faixas no MySpace, para assim ver a real resposta do público em relação as gravações. Em nossos shows atingimos apenas o público local, já que fazemos shows só por aqui mesmo, e com esse veículo de comunicação que é a Internet podemos atingir um grande número de pessoas dispostas a serem perturbadas com nosso som nos lugares mais inusitados. Quem sabe um moleque afegão, de 14 anos, não curte nosso som, hein?

Wilton: Pessoalmente não sei dizer. Devido o tempo, não estou acompanhando muito o feedback das pessoas com relação à música, pelo pouco que sei quem escutou está gostando e em breve lançaremos nosso EP com as 4 músicas gravadas em estúdio. E como Andrei falou, não tem veículo melhor hoje em dia do que a Internet, pois acaba se tornando um modo mais prático e barato para divulgar nosso trabalho com qualidade.


Quais são os novos rumos, expectativas e portas que esse novo trabalho está abrindo?

Andrei: Como disse anteriormente: ainda somos uma banda nova e mesmo sendo pessoas desesperançosas (risos), continuamos acreditando no nosso som porque ele é feito de coração. É verdadeiro e além de gastarmos grana com ensaio, gravação, shows, ainda colocamos raça, sangue, suor. Sabe como é fazer rock no Brasil, né? Uma merda!

Wilton: Divulgação, primeiramente, ate mesmo porque Andrei tem vários contatos fora da Bahia onde nosso som já pode ser divulgado mais facilmente. E em segundo lugar acho que quando se tem um material para mostrar é mais fácil para apresentar para eventos ou ate mesmo para tocar em outros lugares fora daqui (Salvador, Camaçari, Aracajú, Ceará, Califórnia e por ai vai). E também ter um pouco de esperança em mudar alguma coisa aqui nessa Bahia com um som pesado e de qualidade. A Homem Meteoro vai mostrar para o Brasil e o mundo o que é que realmente a Bahia tem (muitos risos).

Andrei: Bahia tem é caruru, vatapá... (risos). Isso é o que tem no tabuleiro da baiana. (muitos risos)


Hoje, como vocês avaliam o cenário musical soteropolitano? As possibilidades, as perspectivas, mercado fonográfico...

Andrei: Falta profissionalismo, novos picos e não digo união, porque para mim união é marca de açúcar. Essa história de que a cena isso, a cena aquilo é coisa do passado. Tem bandas aí que tem milhares de anos e nem se quer lançaram nada. Acho isso uma falta de amor pela música que faz e isso mostra o quanto essas bandas ou pessoas são incapazes, lembrando que algumas faltam recursos (não vamos generalizar) para fazer o bagulho andar, mas é isso, quem sou eu para apontar algo? Já dizia um professor meu: enquanto você aponta para alguém, têm três dedos em sua direção. Filosófico, hein? (risos). Queria acrescentar algo. Tenho admiração por algumas bandas que fazem um trampo foda e super profissional, e uma delas é a Yun-Fat. Os caras são firmeza no trampo que fazem.

Wilton: Bem, isso é uma questão muito pessoal, porque sou bastante chato em relação a musica em geral. Acho que salvador tem e já teve boas bandas sim, porém acho que tem outras que deveriam se qualificar bem mais do que pensar em subir no palco e passar logo de cara uma má impressão. Como diz o ditado... A 1° impressão é a que fica.


Falem um pouco das experiências musicais, das bandas que tocaram.

Andrei: Eu já toquei e tentei tocar em várias, inclusive já tentei de outras vezes fazer um som com Feião, mas nunca deu certo. É a velha zica que nos persegue, mas as minhas bandas antigas, principalmente a Ira de Gaia e a Contenda, fizeram com que eu evoluísse no que faço. Hoje, sinto-me mais confiante e mais seguro em relação a meu vocal. Como 80% da banda veio de uma outra banda (a Dias de Glória) fica mais fácil para Wilton explicar.

Wilton: Gostei muito das minhas bandas antigas sendo que a mais me identifiquei foi a Dias de Gloria, como Andrei já havia dito. Porém, chegou uma hora que não era mais aquilo que queria fazer e resolvi sair da banda. Como Andrei falou, para época eram boas bandas, porém não era aquilo que realmente nós queríamos fazer, mas foi bom o tempo que durou, pois eu acho que serviu como aprendizagem, para o ponto que chegamos hoje e que a cada dia estamos evoluindo mais.

Quais as principais diferenças dos trabalhos anteriores para esse atual?

Andrei: Não gosto de comparações com trabalhos anteriores. Cada qual tem sua devida importância e cada qual marcou sua história, mas claro que sempre o que temos hoje é o que temos que preservar e ter um carinho especial, claro que se tais coisas estiverem dando certo e como o momento atual é bom, digo que é o meu melhor momento.

Wilton: Já toquei em outras bandas como a Tortura e a Dias de Glória e acho que evoluí muito musicalmente. Sendo que você tocar com as pessoas certas ajuda muito. Não que tenha tocado com músicos ruins, não é isso, mas encontrei as pessoas certas para fazer o som certo que sempre tive vontade fazer e creio que é um passo a frente.

O espaço agora é de vocês para as considerações finais...

Andrei: As minhas considerações finais seriam: um beijo pra meu pai, pra minha mãe e pra você(muitos risos). Acessem nosso Myspace, lá tem um link no nosso fotolog para quem quiser nos indicar como banda Ano 1, no “Bahia de todos os rocks”. Valeu pelo apoio que você nos dá, e que sites como o Reidjou! divulguem sempre o underground soteropolitano. Fuiz.

E lembrem-se: quem tá na bruxa é Xuxa.

Wilton: Quero agradecer a todos que me deram força ate aqui meus amigos e broders que nos deram força de continuar e nos apoiaram em show, estúdio e gravações. Quero agradecer a todas as bandas que fizemos parceria até hoje conosco e obrigado por tudo. Amo todos vocês, mas não me peçam dinheiro emprestado, por favor.

Contatos da Homem Meteoro:

MySpace: www.myspace.com/homemmeteoro
Fotolog: www.fotolog.com/homem_meteoro
E-mail: hm.meteoro@gmail.com
Telefone: 8797-6121 e 9937-5526.




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