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1 – Olá, Tunão, vamos falar primeiramente de seu passado. Eu entrei em contato com você, após uma resenha da demo de sua antiga banda, a The Still, que era um split com outra banda de Araraquara, a Hellside. Pode falar um pouco sobre a The Still, e a época da demo, a cena local?
R: Faz tempo hein meu velho!!! (risos) A The Still foi a primeira banda na qual eu comecei realmente a compor e a cantar, então para mim ela tem um significado especial. Começamos como um trio (na época da split demo “In Your Head”) e depois colocamos um segundo guitarrista (na época do 7’’EP “The Real Peace”). Nessa época Araraquara tinha muitas bandas de metal e rolava muitos shows por lá e nas cidades vizinhas (Jaboticabal, Monte Alto, Catanduva, Bebedouro, etc.). E a gente era jovem e sem muitas responsabilidades... o cenário era mais do que perfeito para muita diversão!
2- A The Still tinha um logo bem inventivo e complicado. Isso ate foi comentado na resenha. Quem foi o idealizador?
R: Eu mesmo idealizei e desenhei o logo. Eu estudava arquitetura na época e era um fanático pelo movimento moderno (ainda sou... rs), então a inspiração para o logo veio de duas fontes: o De Stijl (movimento artístico holandês do qual fazia parte Piet Mondrian) e também era uma visão crítica e bem-humorada dos logotipos ilegíveis das bandas de death/black metal da mesma época.
3 – Logo após, em 1993, vocês lançaram o single “The Real Peace”, pelo selo We Love Money. Como se deu a oportunidade, e porque a banda não vingou, já que era promissora?
R: Eu fiquei sabendo da existência da We Love Money por causa do single “Time waits for no one” do Avalon (tinha também o ótimo single do Necromancia do ABC). A idéia do Doni Bava (idealizador do selo) era muito boa para dar uma maior visibilidade às bandas novas, e eu resolvi mandar a nossa demo para ele. Logo em seguida ele nos convidou para lançar o single. Depois do lançamento eu entrei em contato com a Encore Records (gravadora do Avalon), e existia a possibilidade da gente assinar com eles para um possível álbum. Só que nesse meio tempo o Ico saiu do Avalon e o empresário deles (Marcos Cardoso, também dono da Encore Records) me convidou para um teste. Foi o início da minha história no Avalon e o início do fim do The Still. Eles ainda continuaram mais um tempo mas acabaram decidindo desativar a banda. Nós chegamos a “reviver” a banda no final dos anos 90 (tocamos com o Exodus original em Catanduva) mas isso não durou muito tempo.
4 – Logo após você foi convidado a integrar o Avalon, banda de Piauí, que estava radicada já em São Paulo e já promovendo seu segundo disco (sem contar o split com o Megahertz), "Incognito", em 1994. Conte-nos como se deu o contato, e como foi o período com a banda.
R: Como eu disse na questão anterior, eu entrei em contato com a Encore Records para divulgar o The Still e acabei sendo convidado a fazer parte do Avalon. Foi um período memorável da minha vida. Eu me dava super bem com todo mundo envolvido com a banda e nós fizemos ótimos e memoráveis shows juntos. Foi também a época do “quase vai” (risos), já que recebemos uma proposta de lançar a banda mundialmente pelo selo Sarzo Music (do baixista Rudy Sarzo, ex-Quiet Riot/Ozzy/Whitesnake/Dio). Por inúmeras razões acabamos não assinando o contrato e a banda acabou parando um tempo depois. Chegamos a gravar umas demos e uma música que saiu num CD coletânea da extinta revista Planet Metal. Confiram o som no meu MySpace: www.myspace.com/antonparrmusic
5 – Após a saída do Avalon, que rumo tomou sua carreira? E como você foi parar ai no Canadá?
R: Quando eu saí do Avalon eu toquei em várias bandas cover, reativei o The Still por algum tempo, passei por uma faze acústica (compondo com uma viola caipira de 10 cordas!) e também participei da banda Escaravelho com velhos amigos em Araraquara. Quando a minha filha nasceu em 2004 eu parei de tocar pra me dedicar mais à família e em 2006 eu e a minha esposa decidimos imigrar para o Canadá pelo programa de imigração da província de Québec. Estamos aqui desde então.
6 – O que pode nos falar sobre a cena local?
R: Segundo os meus companheiros de banda, 85% do metal canadense vem aqui do Québec. Tem muitas e muitas bandas de metal, algumas incrivelmente boas como Martyr, Priestess, Cryptopsy, Despised Icon, Transe Metal Machine, e isso sem falar nos veteranos como DBC, Ghoulunatics e o Voïvod que voltou com força total. Shows rolam direto e os locais de show são numerosos e de uma qualidade impressionante. E agora tem também o Buffalo!!!
7 – Você esta com uma nova banda, a BUFFALO THEORY MTL. Fale sobre ela.
R: Esbarrei na banda bem por acaso quando eles anunciaram que estavam procurando um vocalista. De cara eu adorei o som que eles estavam fazendo e como eu conhecia a banda antiga deles (o Ghoulunatics) eu resolvi tentar a sorte e mandar um e-mail resumindo um pouco a minha história no mundo do metal e dois MP3 de gravações minhas com o Avalon. A banda é basicamente metal, com guitarras hiper pesadas e “down-tuning” (eles usam Gibson SGs normais, mas afinadas como se tivessem 7 cordas), baixo marcante e um baterista que está entre os melhores com quem eu já toquei (e olha que a competição é forte nesse quesito!!!). O resultado vai ser disponibilizado em breve para vocês, fãs de metal, julgarem!
8 - Em que passo está a banda? Já tem alguma gravação de cd em vista?
R: No momento a gente está em fase de composição (já temos 6 músicas terminadas com letra e tudo), e pretendemos gravar em janeiro. Lançar isso em CD vai depender das propostas que nós obtivermos.
9 – Tunão. Obrigado pela atenção. O espaço é seu para suas mensagens finais.
R: Grande Val e reidjou.com! Eu é que agradeço a oportunidade de falar um pouco para o público brasileiro. Desejo à todos um ótimo período de festas de final de ano e aguardem 2010, pois este será “O ANO DO BUFFALO” !!!!!
http://www.myspace.com/buffalotheorymtl
http://www.myspace.com/antonparrmusic
http://www.myspace.com/antonparr